Dano Estético: Quando as Sequelas Físicas Geram Indenização

O que é dano estético?

O dano estético é a lesão permanente à aparência física de uma pessoa — cicatrizes, deformidades, amputações ou qualquer alteração visível e duradoura na integridade corporal que cause constrangimento, perda de autoestima ou limitação social e profissional. É uma categoria autônoma de dano, distinta do dano moral.

O STJ consolidou na Súmula 387: “É lícita a cumulação das indenizações de dano estético e dano moral.” São danos independentes, mesmo quando derivados do mesmo fato.

Diferença entre dano estético e dano moral

O dano moral é o sofrimento psíquico — ansiedade, dor, tristeza. O dano estético é a alteração física permanente visível. Ambos podem decorrer do mesmo acidente, e ambos são indenizáveis separadamente.

Exemplo: pessoa que perde dois dedos em acidente industrial sofre dano estético (alteração permanente visível) e dano moral (sofrimento psicológico) — dois danos distintos com valores distintos.

O que gera dano estético

  • Acidentes de trânsito com sequelas físicas permanentes
  • Erros médicos em cirurgias plásticas ou procedimentos estéticos
  • Acidentes de trabalho com deformidades
  • Agressões físicas com cicatrizes permanentes
  • Queimaduras graves causadas por produto defeituoso
  • Cirurgias mal conduzidas que deixaram cicatrizes excessivas

Como é calculado o valor do dano estético?

O juiz arbitra com base em: grau de visibilidade da sequela, localização (rosto tem peso maior do que costas), profissão do lesado (modelo, ator, atendimento ao público), idade, e os reflexos na vida pessoal e social.

Laudos de peritos médicos (especialmente dermatologistas ou cirurgiões plásticos) são fundamentais para descrever objetivamente a extensão e a permanência do dano.

Sequelas reversíveis: dano estético temporário

A doutrina discute se sequela temporária — que pode ser corrigida cirurgicamente — configura dano estético. O STJ tem decisões nos dois sentidos. Em geral, o custo da cirurgia corretiva é incluído no dano material, e o período com a sequela pode gerar dano moral.

Perguntas frequentes

Posso pedir dano estético por cicatriz de cirurgia que era necessária?

Depende: se a cicatriz é resultado esperado e informado da cirurgia necessária, não há dano indenizável. Se a cicatriz decorre de erro ou descuido do cirurgião, é dano estético indenizável.

Dano estético em criança: como calcular?

Com especial cuidado. O juiz considera a vida inteira com a sequela e os impactos sobre o desenvolvimento, socialização e futuro profissional. Os valores tendem a ser maiores do que para adultos.

Quem paga: o causador direto ou a empresa/seguradora?

Ambos, solidariamente, nas hipóteses de responsabilidade objetiva do empregador (acidente de trabalho) ou da empresa (acidente com produto defeituoso). A seguradora do responsável pode ser acionada diretamente.


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